Juliana Leite - O Diário
O secretário municipal de Governo de Londrina, Marco Cito, criticou na tarde desta segunda-feira (14) a onda de protestos realizados contra o corte de árvores do Bosque Central. Ele dividiu o assunto em três temas e comentou que houve certa "desinformação" por parte dos manifestantes ao realizar as ações nos últimos dias.
Apesar do secretário de Obras e Pavimentaçao, Bruno Morikawa, ter hesitado em falar na abertura da Rua Piauí quando as espécies forem retiradas do Bosque, na última sexta-feira (11), Cito confirmou que a via será aberta para o trânsito de veículos.
"A rua vai ser aberta e o Bosque não vai ter prejuízo. Pelo contrário, as calçadas vão ter 11 metros, vai ser um verdadeiro boulevard. Assim como foram colocados brinquedos para um parque de diversões, as mesas de xadres deslocadas, agora o espaço também vai ter mesas de ping-pong. O Bosque vai ficar ainda melhor", comentou.
De acordo com ele, o Instituto de Planejamento e Pesquisa de Londrina (Ippul), que elaborou o projeto de revitalização da área e abertura da via, realizou pesquisa com a população e também sobre a melhora no fluxo de veículos da região - um dos pontos questionados por manifestantes que discordam da alteração.
Um dos organizadores do movimento Ocupa Londrina, que tem promovido uma série de ações contra a retirada das árvores, o jornalista Guto Rocha, chegou a dizer que não acreditava em uma melhora significativa do trânsito do Centro.
"Não é abrindo uma rua de 100 metros que vão conseguir melhorar o trânsito. Na verdade, deveriam proibir o tráfego de carro no centro e só permitir que ônibus, ambulâncias, pedestres e bicicletas trafeguem por ali", disparou Rocha.
O secretário de Governo também apontou que não haverá a construção de um terminal urbano na região onde estava localizado o Zerinho do Bosque. Até a década de 1990, o local funcionava como ponto de ônibus, mas foi fechado para unir dois espaços de mata nativa. "Misturaram projetos que ainda são hipotéticos, mas que não tem nada a ver com o que está sendo feito hoje. Isso não é o que a prefeitura vai fazer", defendeu Cito.
A informação havia sido repassada por uma diretora do Ippul, mas segundo o secretário, não é o que realmente condiz com o planejamento da prefeitura. Questionado se haveria uma confusão por parte do secretariado e dos departamentos ao repassar informações contraditórias, Cito comentou que "talvez tenha faltado projeção daquilo que é fato". "Não é um desencontro. Talvez cada um estivesse com os trabalhos de sua secretaria", disse.
De acordo com ele, muito se fala na poda de 18 árvores, mas não há comentários sobre as 80 que foram plantadas no Bosque. "Somos uma das únicas cidades 'carbono zero" do país. A nossa meta é plantar 200 mil árvores até o final da administração Barbosa Neto. Acho que isso foi mal interpretado", disse.


1 comentários:
Secretário, estive no Bosque hoje à tarde e não me pareceu que as pessoas presentes estivessem desinformadas, aliás, muito pelo contrário. A questão que envolve o Bosque é apenas uma, dentre tantas outras, que apontam para o descontentamento de uma parcela significativa da população com relação à administração municipal. Se há poucas pessoas participando desse protesto, isso não significa que outros setores da população não estejam preocupados com esta e outras tomadas de medidas que chegam de maneira atravessada. Sabemos o quanto é difícil às pessoas exercerem suas parcelas de democracia. A questão que envolve o Bosque é apenas uma das questões que o Movimento Ocupa Londrina tem como objetivo fazer chegar aos diferentes setores da sociedade. Quais são as outras questões? Não tenho nem ânimo para pontuá-las aqui. Basta apenas consultar os blogs e os jornais da cidade. Com relação à abertura do Bosque, isso irá, de fato, solucionar o problema do trânsito em Londrina? Em qual proporção isso acontecerá? Será que já estamos dando prioridade aos veículos em detrimento das pessoas? O argumento de revitalização do centro, da modernização e de avanços não convencem nem um pouco.
Discordo sobre o fato do movimento ser eleitoreiro. Essa é uma afirmação simplista e imediatista que não cabe aqui.
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